O regime não se contentou em condenar sem crime o maior líder da direita num show trial, onde as supostas vítimas julgaram o réu em processo sumário, por uma "tentativa de golpe" sem armas, sem tropas, sem um único quartel que se movesse.

Agora quer impedir qualquer comunicação dele com o público. Moraes suspendeu por noventa dias a visita de Flávio ao pai. O motivo: Flávio leu uma carta em que Bolsonaro pede a união da direita em torno do próprio nome.

Um pai preso pedir apoio ao filho virou, para o Supremo, ato a ser punido com o corte do convívio familiar.

Compare com Lula. Condenado em três instâncias, no maior escândalo de corrupção da história do país. E, dentro da cadeia em Curitiba, recebia família, advogados, políticos e aliados em visitas diárias. Deu entrevistas. Montou um comitê político de dentro da Polícia Federal.

Preso por corrupção, o petista despachava da "cela". Depois foi solto e descondenado pelo Supremo.

Condenado sem crime, em prisão domiciliar, proibido de usar redes sociais, Bolsonaro não pode nem ter uma carta lida pelo filho.

Até quando boa parte do Brasil vai fingir que isto não é um regime de exceção? Como uma eleição pode ser legítima num ambiente desses?

@SamPancher: BREAKING: Alexandre de Moraes proíbe Flávio Bolsonaro de visitar o pai pelos próximos 90 dias em função de leitura de carta do ex-presidente em rede social feita pelo senador. https://t.co/1WEJg3aEGQ