Never bet against America — Warren Buffet
@opapoeconomico: O Brasil é a 10ª economia do mundo. Tem a maior bolsa da América Latina. Mas o mercado de capitais brasileiro é estruturalmente atrofiado — e os motivos são mais profundos do que "juro alto".
Empresas listadas na B3 geram ~18% do PIB brasileiro (FGV/Abrasca, 2024). Nos EUA, listadas respondem por algo entre 25% e 35%.
Na economia real, a diferença é de 1,5x a 2x. Faz sentido, o PIB americano é 12x maior.
Agora olha o market cap sobre o PIB:
🇧🇷 Brasil: ~42% 🇺🇸 EUA: ~230%
Diferença de 5x a 6x. Por quê?
- O Estado brasileiro absorve 60% do mercado de tÃtulos com R$ 6 trilhões em dÃvida lÃquida. Com Selic a 14,75% e juro real de 7-8%, pra que correr risco em ação?
A taxa média da Selic entre 2000 e 2024 foi 12,2% (Bain). Quando o CDI paga isso, a bolsa vira hobby.
Até 2016, o BNDES sozinho emprestava MAIS do que todo o mercado de capitais — dÃvida e ações somados (Quipus Capital). Empresa grande não precisava abrir capital. Era só ligar pro banco estatal.
La Porta, Shleifer e Vishny — o paper mais citado em finanças corporativas — mostraram que paÃses de tradição jurÃdica francesa (como o Brasil) têm proteção ao acionista minoritário mais fraca. Resultado: controladores concentram poder e não querem diluição.
No Brasil, 48,7% das empresas têm diretores indicados por acionistas majoritários. Só 2% por minoritários independentes (World Bank).
Menos de 5% dos brasileiros investem em ações. Nos EUA, mais de 50%.
O resultado? Uma espiral de morte. Última IPO na B3: Vittia, setembro de 2021. Quatro anos sem nenhuma. Nos últimos 4 anos, 48 empresas saÃram da bolsa — mais de 10% do total.
Santos Brasil (CMA CGM), Wilson Sons (MSC), ClearSale (Serasa), Carrefour Brasil, Neoenergia (Iberdrola)… estrangeiros comprando ativos brasileiros descontados e tirando da bolsa.
A B3 tinha 600+ empresas nos anos 90. Hoje tem ~330.
O volume diário da B3 inteira é ~US$ 3 bilhões. Só a Tesla negocia US$ 33 bilhões por dia.
E do outro lado, parte da "superioridade" americana é ilusão contábil: 41% da receita do S&P 500 vem de fora dos EUA (Apollo). O numerador é global, o denominador é doméstico. Isso sozinho já infla o indicador.
Mas a conclusão incômoda é outra.
O problema do Brasil não é que falta empresa grande. É que empresa grande no Brasil não precisa da bolsa — e quando precisa, está barata o suficiente pra um gringo comprar e deslistar.
Enquanto os EUA constroem o maior mercado de capitais da história, o Brasil está desbolsificando.
