O líder do Datafolha de véspera foi o mais votado no primeiro turno em todos os seis pleitos. Ninguém que estava em segundo na véspera ultrapassou o primeiro nas urnas. O erro no primeiro colocado ficou quase sempre dentro ou na borda da margem: de −1,4 a −3,1 p.p., exceto Bolsonaro em 2018, que subiu 6 p.p. em relação à pesquisa. O segundo colocado foi sistematicamente subestimado, e o desvio cresceu com o tempo. Serra em 2002 ficou quase na margem (+2,2). Alckmin em 2006 já saiu dela (+3,6). Aécio em 2014 (+7,6) e Bolsonaro em 2022 (+7,2) foram os maiores erros da série entre os dois principais. Em 2014 o Datafolha de sábado já punha Aécio à frente de Marina nos votos válidos (26% contra 24%). Marina caiu para 21% nas urnas; Aécio absorveu esse voto e foi ao segundo turno. Em votos totais (com brancos, nulos e indecisos), algumas leituras da mesma véspera ainda mostravam Marina numericamente à frente. Em 2018 e 2022 o padrão foi o mesmo: voto útil de última hora para os dois que polarizavam, mais forte no candidato não petista. Em 2018 Bolsonaro subiu 6 e Haddad 4; Ciro e Alckmin caíram. Em 2022 Lula ficou dentro da margem e Bolsonaro subiu cerca de 7 pontos.

Em resumo, de 2002 a 2010 o Datafolha de véspera descreveu bem a ordem e a distância. A partir de 2014 passou a acertar quem ia ao segundo turno, mas a subestimar de forma consistente o segundo colocado — com o pico em Aécio (2014) e Bolsonaro (2022).