Discurso PERFEITO do deputado federal eleito @felipecamozzato.

Precisamos de mais parlamentares assim para lutar contra a ditadura brasileira:

"Esquerda agora reclamando que o Flávio supostamente fugiu. Eu não tenho dado se ele fugiu, se não fugiu, se saiu do Brasil, se não saiu, mas, se eu estivesse no lugar dele, teria saído. Porque eu, ao contrário do Lula quando estava preso, não tenho ministro do Supremo pra depois me ajudarem a tirar da cadeia e me colocarem de novo numa condição de elegibilidade pra voltar à Presidência. Flávio não tem essa garantia.

Aliás, não quero aqui defender o Flávio. Eu quero explorar a hipocrisia do PT, que reclama de um candidato que perdeu a eleição e sete minutos depois tinha já uma ordem de apreensão de passaporte sem uma decisão penal, né, sem uma decisão criminal.

Eu queria saber se os deputados da bancada do PT também acham que foi covardia, que foi fuga, que foi colocar o rabo entre as pernas, que foi desamparo da população, quando Leonel de Moura Brizola fugiu.

É uma ditadura? Olha, aí disse tudo: República Bolivariana do Brasil. É isso que virou, é isso que virou.

Jango fugiu, Zé Dirceu fugiu, Miguel Arraes fugiu, Luiz Carlos Prestes fugiu, Juscelino Kubitschek fugiu. Ué, são covardes por quê? Que não enfrentaram a cadeia? Ei, o Miguel Rossetto, ex-ministro da Dilma, respondeu: porque era uma ditadura.

Mas, meus amigos, o que o Brasil vive hoje é uma normalidade democrática? Sim ou não? Me digam: sim ou não.

Que normalidade democrática é essa onde, onde decisões ilegais em plena campanha eleitoral, como concessão de benefícios financeiros — que, em outras palavras, seriam denunciados como compra de votos pela militância do PT —, quando feitos pelo Lula, com precedentes contrários do STF, não foram sequer condenados?

Que democracia é essa onde nós temos Felipe Martins preso, onde a base da sua prisão é um documento comprovável, comprovadamente fraudulento, de uma entrada nos Estados Unidos que nunca existiu? E ele tá preso.

Onde está a democracia normalizada, com o ex-advogado do Lula a cinco e um determinando de ofício a extensão do prazo de votação? Não é estranho? É estranho.

E eu não tô nem aqui dizendo que é tudo atos ilegais e golpes e tudo mais, mas poderia dizer. Aliás, se eu fosse militante de esquerda, eu estaria dizendo nessa tribuna. E sabe por que que eu não digo? Porque, senhores, eu tenho medo de dizer.

E se, numa democracia, um parlamentar vem a uma tribuna com medo de falar o que pensa, não é mais democracia, não é mais democracia. E vocês gritam aqui das galerias porque vocês sabem que podem. Vocês incendeiam ministérios e manifestações de vocês porque vocês sabem que podem. Vocês mandam os eleitores de direita chorarem na cama quentinha porque você sabe que vocês podem.

Aliás, não chorem alto, porque vai que algum ministro se incomode com o barulho. Pode acabar que nem a Débora do Batom, pode acabar que nem alguns ambulantes vendedores de bandeira. Vocês deveriam estar envergonhados.

Defensores de bandeiras de esquerda, que dizem defensores de democracia, dos direitos humanos: onde ficaram os direitos humanos? A Débora do Batom, que recebeu o kit higiene urinado — onde ficaram? Onde ficaram? Vocês são hipócritas, e vocês sabem que são, e vocês seguem fazendo esse discurso porque vocês sabem que podem, porque hoje vocês têm as ferramentas pra calar adversários e persegui-los, como estão fazendo.

E é por isso que, independente de qual foi a decisão do Flávio, eu, se tivesse no lugar dele, sairia, porque eu sei o que virá. Se ele fica no Brasil, se ele tiver ficado, ele será preso.

Aliás, eu, que sou deputado federal eleito, vou ter que cuidar muito que eu falo em Brasília, porque eu não sei inclusive se esse meu discurso na tribuna agora, hoje, como deputado estadual, não vai servir de motivo e algum inquérito pra também cassar meu mandato, que nem o doutor Dallagnol teve seu cassado, que nem outros parlamentares tiveram. Também até quebra de sigilo de fonte nós vimos acontecer nessa democracia relativa que vocês dizem que está normalizada. Cês têm que tomar vergonha na cara. Mas, infelizmente, eu não posso esperar isso de vocês, porque, se vocês tivessem vergonha na cara, sequer nós teríamos tido a eleição do jeito que ela foi.

Muito obrigado. Obrigado."