Moraes parece ter cometido seu maior erro estratégico até aqui.
Primeiro, usou o Inquérito das "Fake News" contra um colega de Corte cujo grave "pecado" foi seguir os indícios dos seus contatos impróprios com Vorcaro, para dizer o mínimo. O banqueiro pedia, por mensagem, que ele "revertesse" as investigações junto a "Paulo e Andrei", entre outras coisas. Está tudo no celular apreendido.
Segundo, baseou o ataque num relatório apócrifo de "inteligência" da PF: sem data, sem identificação dos analistas, classificado pela própria PF como "documento de trabalho, sem valor probatório", e com sinais de redação por IA. Sabe-se lá produzido por quem, e a mando de quem.
Nem os aliados conseguiram defender a jogada. Fachin retirou o pedido do inquérito das "Fake News" e o despachou para o mesmo procedimento que apura a relação de Moraes com o banqueiro.
Em vez de explicar as mensagens e as conclusões que elas impõem, resolveu atacar quem as apresentou. O caráter autoritário e o uso da caneta em benefício próprio ficaram escancarados.
Mendonça aproveitou a deixa: afastou o diretor-geral da PF, afastou o diretor de Inteligência e suspendeu a produção de relatórios sobre a atuação de ministros.
Monitorar ilegalmente um ministro do Supremo por mais de 30 dias não é "inteligência". É espionagem de Estado.
