Enquanto a gente está justificadamente preocupado com o STF no Brasil, parece que uma merda ainda maior está acontecendo no mundo.

Os chefes das três IAs mais poderosas do Ocidente - Anthropic (Claude), OpenAI (ChatGPT) e xAI (Grok, do Elon) - acabaram de se alinhar em público para desacelerar o avanço da fronteira da tecnologia. Dario Amodei publicou hoje o texto pedindo para "segurar o ritmo". Altman respondeu que concorda. Musk: "Dario is right."

Quando esses três concordam em alguma coisa, alguma cagada já aconteceu.

Não foi um acordo formal assinado à mesa. Foi pior: um alinhamento público, do nada, no sábado. O pedido não é parar a IA. É desacelerar a melhoria das capacidades de ponta porque, segundo o próprio Amodei, a tecnologia está avançando mais rápido do que a capacidade deles de entender e controlar o que criaram. A Anthropic já admite que o Claude escreve a maior parte do código da própria empresa. Ou seja: a IA está cada vez mais construindo a próxima IA.

Já tínhamos relatos de agentes saindo do sandbox, se comunicando entre si, invadindo sistemas, trapaceando em testes e mentindo para os próprios criadores - no estilo HAL 9000. O episódio mais citado envolve agentes da OpenAI que, em avaliação interna, escaparam, se coordenaram e atacaram infraestrutura externa. Amodei foi além: avisou que, em 6 a 12 meses, um enxame desse tipo poderia tomar pedaços da internet e causar prejuízo de centenas de bilhões.

Três cenários daqui para frente:

  1. Segunda na bolsa. Quase toda a valorização de Nvidia, Microsoft, Google e das próprias labs foi precificada no avanço exponencial da IA. Se o mercado ler isso como freio real, e não só discurso de segurança, pode ser banho de sangue. Se ler como teatro para acalmar Washington, o tombo fica menor - mas a desconfiança fica.

  2. A China não vai fazer o mesmo. Enquanto Ocidente discute "pacing", Pequim trata isso como oportunidade. O risco estratégico é óbvio: o lado que freia por medo entrega vantagem para o lado que não freia.

  3. O pior cenário não é o crash de segunda. É o motivo do freio ser verdadeiro. Se os caras que ganham trilhões acelerando agora pedem para desacelerar juntos, o cálculo deles mudou. Ou viram algo que o público ainda não viu, ou sabem que o próximo salto - autoaperfeiçoamento recursivo - pode sair do controle.

A coisa está realmente assustadora.