Nunca foi tão fácil escolher um lado!

Zé Dirceu: da guerrilha treinada em Cuba à descondenação

"Nós vamos tomar o poder, que é muito diferente de ganhar uma eleição."

A frase é de José Dirceu, em 2018. Para entender o que ela significa, basta conhecer a biografia de quem a pronunciou.

Nos anos 60, Dirceu militou na ALN de Carlos Marighella, organização que pegou em armas para implantar uma ditadura comunista no Brasil. Preso em 1968, no congresso da UNE em Ibiúna, ganhou a liberdade no ano seguinte graças ao sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, executado pela própria ALN e pelo MR-8. Foi um dos presos trocados pelo diplomata.

Do exílio, seguiu para Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha e integrou o Molipo, outro grupo armado. Fez cirurgia plástica para mudar o rosto e voltou clandestino ao Brasil com o nome falso de Carlos Henrique Gouveia de Mello. Viveu anos no interior do Paraná, casou e teve um filho sem que a esposa soubesse quem ele era. Só depois da Anistia de 1979 revelou a verdade e voltou a Cuba para refazer o rosto.

Pois bem. O homem formado na ilha de Fidel ajudou a fundar o PT e virou o todo-poderoso ministro da Casa Civil de Lula.

Veio o Mensalão. Em 2012, o Supremo o condenou a 7 anos e 11 meses por corrupção ativa, como chefe do esquema de compra de votos no Congresso. A condenação por quadrilha caiu nos embargos infringentes. Preso em 2013, foi para casa em menos de um ano, e a pena acabou extinta pelo indulto natalino de Dilma.

Veio a Lava Jato. Preso em 2015 pelo propinoduto da Petrobras, foi condenado duas vezes: 30 anos e 9 meses num processo, 8 anos e 10 meses em outro. Somado o Mensalão, mais de 47 anos de pena.

Quanto tempo ficou atrás das grades? Pouco mais de três anos, somadas QUATRO prisões.

Em 2017, a Segunda Turma do Supremo o soltou. Em 2018, voltou a ser preso e saiu pouco mais de um mês depois por um habeas corpus de ofício proposto por Toffoli, seu ex-subordinado na Casa Civil. Em 2019, preso de novo, foi libertado quando o Supremo derrubou a prisão após condenação em segunda instância, a mesma decisão que tirou o Descondenado da cadeia.

O serviço foi concluído em 2024. A Segunda Turma declarou prescrita a pena de 8 anos. Gilmar Mendes anulou, numa canetada, todos os atos de Moro contra ele. E o STJ enterrou por prescrição a pena de 30 anos.

Resultado: o guerrilheiro treinado em Cuba, condenado no Mensalão e na Lava Jato, saiu sem dever NADA à Justiça e ainda tentou voltar à Câmara em 2026. O eleitor paulista disse não.

Enquanto isso, a cabeleireira Débora pegou 14 anos por escrever uma frase de protesto com batom numa estátua.

Dirceu prometeu que o PT tomaria o poder sem precisar ganhar eleição. A própria ficha dele é a prova de que a promessa foi cumprida.