A captura da PGR pelo establishment
A Procuradoria-Geral da República acaba de descobrir que o Supremo não deveria julgar quem não tem foro privilegiado.
Descobriu com sete anos de atraso.
Desde 2019, com o inquérito das Fake News, aberto por portaria do próprio tribunal, sem provocação do Ministério Público e com relator designado sem sorteio, o Supremo investiga, acusa e julga brasileiros comuns. Influenciadores, empresários, jornalistas, blogueiros e aposentados. Só pelo 8 de janeiro já são mais de 1.400 condenados.
Raquel Dodge, então procuradora-geral, chamou aquilo de "verdadeiro tribunal de exceção". Foi ignorada. E a Procuradoria nunca mais insistiu.
Mas quando a investigação é de corrupção, e não de "crime" de opinião, e bate na porta do filho do Descondenado, e cai na mão de um ministro não alinhado, aí não pode.
Aí a Procuradoria redescobre a competência.
Aí tem que mandar para a primeira instância, mesmo sendo altamente improvável que o caso não envolva pessoas com foro privilegiado. A própria Polícia Federal diz que a influência teria sido exercida junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência da República.
Vale lembrar que a Polícia Federal já havia tentado tirar o caso de Mendonça pedindo distribuição por sorteio. O sorteio deu Mendonça. Agora tentam pela outra porta.
A Justiça brasileira se transformou num aparato de proteção de aliados e perseguição a opositores.
Nada além disso.
