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Muita gente está dizendo que Fachin retirou Mendonça dos inquéritos do INSS e do Banco Master. Não foi essa a decisão.

Fachin usou a prerrogativa da presidência do Supremo (o regimento manda o presidente conduzir apurações preliminares contra ministros da própria Corte) para chamar para si a relatoria do caso que pode abrir investigação contra Moraes. Na mesma canetada, mandou remeter à presidência as íntegras dos processos do INSS e do Master, suspendendo temporariamente os dois andamentos.

Traduzindo: o objetivo parece ser retirar os meios de ação de Moraes e de Mendonça até o plenário decidir, nos próximos dias, se abre a investigação contra Moraes.

Eu não tenho a menor confiança em Fachin, e não descarto que esteja atuando para costurar um acordão. Vale lembrar quem ele é: escolhido de Dilma, gravou vídeo na campanha de 2010 pedindo votos para ela e exaltando os feitos do governo do PT. Ele próprio conta, em entrevista, que sua formação foi moldada por um professor "ligado ao partido comunista" e aos movimentos de esquerda, que o fez "ver o mundo com outros olhos", e que a luta pela reforma agrária foi o segmento em que ele mais militou. Admirador confesso do comunista que o formou e militante da causa sem-terra, pela própria boca.

Mais: Fachin foi o relator da ação que julgou a constitucionalidade do Ato Institucional apelidado de "Inquérito das Fake News". Votou pela validade. Foi esse aval que abriu espaço para o estado de exceção implantado no Brasil nos últimos sete anos.

Agora ele sinaliza pelo fim do instrumento que ajudou a colocar de pé. Se o desmonte vier, ótimo. Mas nada apaga o seu papel na destruição da Justiça brasileira.

Portanto, minhas expectativas em relação a ele são as mais baixas possíveis. Se Fachin de fato enterrar o inquérito e atuar pela responsabilização de Moraes, será uma grata surpresa. Até lá, trato a decisão como o que ela é: movimento de quem administra a crise da corporação, não de quem faz justiça.

Enquanto a gente está justificadamente preocupado com o STF no Brasil, parece que uma merda ainda maior está acontecendo no mundo.

Os chefes das três IAs mais poderosas do Ocidente - Anthropic (Claude), OpenAI (ChatGPT) e xAI (Grok, do Elon) - acabaram de se alinhar em público para desacelerar o avanço da fronteira da tecnologia. Dario Amodei publicou hoje o texto pedindo para "segurar o ritmo". Altman respondeu que concorda. Musk: "Dario is right."

Quando esses três concordam em alguma coisa, alguma cagada já aconteceu.

Não foi um acordo formal assinado à mesa. Foi pior: um alinhamento público, do nada, no sábado. O pedido não é parar a IA. É desacelerar a melhoria das capacidades de ponta porque, segundo o próprio Amodei, a tecnologia está avançando mais rápido do que a capacidade deles de entender e controlar o que criaram. A Anthropic já admite que o Claude escreve a maior parte do código da própria empresa. Ou seja: a IA está cada vez mais construindo a próxima IA.

Já tínhamos relatos de agentes saindo do sandbox, se comunicando entre si, invadindo sistemas, trapaceando em testes e mentindo para os próprios criadores - no estilo HAL 9000. O episódio mais citado envolve agentes da OpenAI que, em avaliação interna, escaparam, se coordenaram e atacaram infraestrutura externa. Amodei foi além: avisou que, em 6 a 12 meses, um enxame desse tipo poderia tomar pedaços da internet e causar prejuízo de centenas de bilhões.

Três cenários daqui para frente:

  1. Segunda na bolsa. Quase toda a valorização de Nvidia, Microsoft, Google e das próprias labs foi precificada no avanço exponencial da IA. Se o mercado ler isso como freio real, e não só discurso de segurança, pode ser banho de sangue. Se ler como teatro para acalmar Washington, o tombo fica menor - mas a desconfiança fica.

  2. A China não vai fazer o mesmo. Enquanto Ocidente discute "pacing", Pequim trata isso como oportunidade. O risco estratégico é óbvio: o lado que freia por medo entrega vantagem para o lado que não freia.

  3. O pior cenário não é o crash de segunda. É o motivo do freio ser verdadeiro. Se os caras que ganham trilhões acelerando agora pedem para desacelerar juntos, o cálculo deles mudou. Ou viram algo que o público ainda não viu, ou sabem que o próximo salto - autoaperfeiçoamento recursivo - pode sair do controle.

A coisa está realmente assustadora.